Mariana tem 26 anos, trabalha em uma agência de marketing em São Paulo e está em licença médica há três semanas. Não por doença física — por esgotamento. "Eu acordava e já me sentia cansada", conta ela. "Não conseguia me concentrar em nada. Chorava sem motivo. Meu médico disse que era burnout."
A história de Mariana não é exceção. Segundo pesquisa do Instituto de Psicologia da USP publicada em março de 2026, 26% dos trabalhadores brasileiros entre 22 e 28 anos relatam sintomas consistentes com burnout — ansiedade extrema, exaustão emocional e sensação de ineficácia profissional.
Por que está acontecendo
A resposta fácil é "redes sociais" ou "geração fraca". A resposta mais honesta é mais complexa.
A geração Z entrou no mercado de trabalho durante ou logo após a pandemia — um período de instabilidade extrema que moldou suas expectativas e medos. Muitos começaram a trabalhar remotamente, sem a socialização que ajuda a construir resiliência profissional. Outros entraram em mercados altamente competitivos, onde a pressão por performance é constante.
Há também o fator econômico: os jovens de hoje têm menos segurança financeira do que as gerações anteriores na mesma faixa etária. Salários de entrada estagnados, custo de vida crescente, perspectiva de aposentadoria incerta. A ansiedade financeira é um componente central do burnout jovem.